Será que agora vai?
Li que hoje foi anunciada a aprovação de novas normas ortográficas para o português. Depois de quase vinte longos anos de discussão, e com a assinatura de apenas três países lusófonos, novas normas vão começar a valer.
É reamente muito democrático que apenas três países bastem para aprovar uma coisa tão importante dessas! E, para além do que os "outros países restantes" (são 8 ao total) pensam, acho no mínimo estranhas as novas regras. O fim do trema é uma das coisas que mais me entristece, lingüisticamente falando. Este "tremelicar" do "u" é bastante charmoso, graficamente inclusive.
Saramago disse que vai continuar escrevendo como sempre - que se virem os revisores, disse. Mas para quem usa a língua como matéria-prima (ah, o hífen terá novas regras!), a coisa é menos simples. Me lembra a história - não sei se lenda ou verdade - de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira defendendo a diferença entre "forma" e "fôrma". Em Portugal, o charme dos "c"s mudos (como em acto) também vai decair.
Claro que do ponto de vista prático, pode ser que muita coisa melhore com essa homogeneização. Mas acontece que a língua é a forma como as pessoas se expressam - e expressam seu modo de pensar, de viver, de entender a existência. Língua tem a ver com cultura, que cada povo tem a sua. Lembremo-nos da "língua brasileira" que queriam os modernistas, para marcar nossas diferenças em relação aos colonizadores (inclusive, facto continuará a ter "c" em Portugal, porque lá, "fato" é roupa). Acho reducionista, absurdo, autoritário e triste estabelecer que tudo terá que ser igual - ainda que diferente do que é hoje.

2 Comentários:
Absurdo! Absurdo! O Brasil assinou isso? Absurdo! Eu continuarei a usar tremas.
Eu não uso tremas. Mas essa tal lei é uma das coisas mais ridículas que já vi. Não posso mais beber, agora tenho que desaprender gramática. Estou involuntariamente me tornando um fora-da-lei!
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